quarta-feira, 19 de maio de 2010

Torpor

Em mentes onde habitam a desgraça
O consolo pondera e decide desistir
Afundando em noites rasas e limitadas
Afasto corações simplesmente por existir

Ainda vago no obsoleto iludir
Imaginando o que pode estar por vir
Mais um trago e a bebida acaba
O estrago é duradouro e me faz sentir vida

Passo a passo me aborreço
Onde você esta evito estar
Sorvendo a chuva fina que me faz sentir
O peso do cimento que se estende a tudo

Incapaz de perceber
Adentro a inevitável manhã
Saudado por um gosto amargo na boca
Preparo o que restou de mim para a rotina

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A volta pra casa...

O texto abaixo foi um pouco exaltado, exagerei no sentimento e tentei me expor sincero. Não vale a pena expressar sentimentos aqui e em lugar nenhum, assim como não vale a pena nascer. Não sei o que aconteceu antes, como ganhei à metafórica 'corrida' ou se tive escolha e decidi vir à tona no mundo, me conhecendo como agora e de acordo com meu perfil psicológico dificilmente eu aceitaria entrar, ou melhor sair do útero para viver o cotidiano, a rotina, o dia, a noite ou o que está por aí a minha espera. Optaria por um drink no além, seria um feliz espectador do que está acontecendo e faria piadas cínicas da maneira de como cada um vive... pelo menos de quem minha distorcida visão alcançasse a vida. No dvd, bastaria acessar os extras e assistir com comentários. Não é assim que a ressaca passa, o lado oposto se defende no singular e eu nem sei o que fazer... Peço mais uma cerveja e uma dose de cynar para acompanhar o respingo de ânimo que sobra (e me afunda), a descida pra casa não é tão longa, nem desconhecido, assim imagino. Esse caminho simples está me levando a lugares abstratos absorvendo meu refúgio temporário em frações de segundos, me devolve ao que eu sou. Não gosto mais disso. Paro em outro bar e o processo recomeça, no conforto do meu refúgio ilusório mais uma vez penso... a volta pra casa está cada vez mais longa e tortuosa.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Vende-se amor

Inaceitável! Título deste inativo/irregular blog expressa uma meia verdade sobre o que eu sou. Ser recluso não é necessariamente estar afastado de tudo fisicamente, acho que é mais um estado mental que se apodera da vida, ou da interpretação da vida para alguns, trazendo constantes eventos internos que bloqueiam certos privilégios das pessoas comuns, obviamente impede coisas simples de acontecerem. Quer um exemplo? Amor.
Todo mundo busca um amor, um refúgio, algo para se agarrar, alguém para pedir apoio, simplificando, ninguém quer ficar sozinho. O medo da solidão, de envelhecer e morrer sozinho proporciona a busca pelo seu verdadeiro 'amor', ou ao menos alguém para acompanhar na jornada ao nada em que todos estão envolvidos. Como recluso (acho), egoísta para alguns, sempre optei pelo lado tortuoso da solidão. Não há para quem reclamar e nem porque na verdade já que é opcional esse status... será? Não tenho autonomia nenhuma para falar nada por ninguém aqui, mas falo o que é e o que não é na minha patética vida, isso eu posso afirmar, não tenho e nunca tive intenção nenhuma de ser assim, de seguir pelo lado internamente apático. As coisas acontecem! Boas ou ruins, e o que é ruim está impregnado no que eu sinto e sou. Não consigo me livrar dos pensamentos, lembranças remotas insistem em voltar, rondam todas as decisões que tento tomar, ofusca todos os caminhos que escolho me obrigando a tomar certos cuidados excessivos que prejudicam o desfecho da minha vida. Não acredito em destino, muito menos em sorte! Esse lado cético complementa o pessimismo adquirido com o passar dos anos, e foram anos e anos de cagadas, medos e derrotas internas. Não há quem me conheça bem o suficiente para questionar o que coloquei aqui, isso não quer dizer que não tenho amigos. Sim, tenho muitos amigos, conheço muitas pessoas com quem eu posso contar, de verdade! O único detalhe é que apenas uma fração minha está disponível, tento fazer com isso o melhor possível para me manter em pé, para transparecer alegria e força, para não decepcionar ninguém. Sei que é impossível isso, assim como é impossível conviver comigo. Agora tenho que enfrentar isso na minha válvula de escape também. Sempre que tento escrever, compor, fazer qualquer outra coisa que me dá um certo alívio eu acabo voltando ao mesmo assunto pendente. Quero me livrar disso, quero que minha trégua interna volte para que eu possa descansar um pouco, não consigo mais me livrar disso. Nunca me esforcei tanto para mudar esse meu lado que está cada vez mais forte e agora acho que acabei de fuder tudo, e para piorar não sei como fiz isso. Aconteceram coisas que eu não esperava... (as coisas acontecem, lembra?) como o coma e a morte do meu avô que influenciou muito para que meu lado pessimista tomasse conta da parte ainda 'pura' da minha vida, mas tenho certeza de que não é essa a causa dessa angustia que não vai embora. Diz o clichê que só encontramos o que queremos quando desistimos de procurar. Claro que não concordo com isso e acho que se desistir agora de me livrar disso as coisas vão piorar, lenta e gradualmente. A confusão interna (eterna) está aparecendo em tudo! No meu trabalho, no que escrevo, componho tudo! Eu evito assuntos os mudando constantemente, não consigo nem andar em linha reta, estou mais avoado do que o normal. Sempre vivi em outro mundo, deixando meu corpo circular por aí e até se comunicar com as pessoas, mas dessa vez é diferente, isso tá ficando realmente perigoso e me faz sentir medo de algumas coisas que nunca liguei na vida. Essa é uma parte que não vou especificar aqui, nem em lugar nenhum na verdade, vai ficar perdida num limbo onde estão todos os meus segredos idiotas e insignificantes. Até poderia dar mais indícios disso aqui, é uma forma válida expressão onde posso me livrar de coisas que me afligem em texto e, possivelmente, sendo extremamente otimista, alguém se identifique e a missão vai estar cumprida. Fácil até de mais, né? Pena que não é real... A inconstância vai continuar, a confusão vai continuar... e eu? Sou obrigado a continuar, mesmo mudando constantemente e não definindo nada, mesmo não sendo claro e direto para me livrar de mim mesmo eu vou continuar. A proposta do texto era outra e acabei tomando uma curva em algum lugar que me trouxe até aqui, como vou me livrar disto? Sempre gostei de circular propositalmente o que realmente quero dizer, para sondar o que há ao redor, ver até onde consigo ir e voltar para esclarecer as coisas mais tarde. Hoje isso tá fora do controle. Não vou mais me aprofundar nesse assunto, vou deixar a pendência para noites onde o fundo do copo me indicará o caminho.
Como estou inconstante, indeciso, assustado e sem rumo, não mais me é possível contar com companhia, não sei agradar, não tenho a mínima idéia de como fazer isso e sendo sincero aqui não vou me esforçar em fazer, contradizendo o ponto exposto anteriormente em querer mudar, essa mudança não é no lado sentimental da coisa e sim uma expansão da minha anomalia interna. Ninguém vai entender o que quero dizer com anomalia, mas eu sou uma anomalia ambulante. Portanto, vendo minha cota de amor. Deve existir um punhado destinado a cada um (e olha que nem acredito em destino), a minha parte está à venda, interessados vão saber como comprar, tenho certeza disso.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Induzindo...

Induzindo... Todos que não acreditam em nada para seguir a vida imaginando o que pode acontecer. Eu imagino um projeto envolto em música e bizarrices possíveis apenas na mente de quem mente para sobreviver. Não acredito, podem acreditar, mas acredito que posso acreditar se tomar o rumo certo, só então tudo começa a ficar difícil! Ronda responsabilidade no que deveria ser diversão. Vou passando o meu tempo sem fazer nada até coisas começarem a aparecer, como milagre maravilhoso que mudará para sempre a vida de quem está disposto a se submeter. Mas... submeter-se a que? Ao compromisso daquela responsabilidade que disse agora a pouco? Isso é realmente pouco diante do infinito de possibilidades destilados em tiras e flashes de cérebros não corrompidos pela crença idiota do possível.

Texto originalmente produzido para o blog da banda imaginária Sinclaircity no myspace: www.myspace.com/sinclaircity